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- 31 de maio de 2026
Pró-Beleza lança campanha contra abusos na moda e leva ao Senado pedido de apoio à regulamentação do setor
Sindicato alerta para o que chama de “Verdades Nada Secretas” e, ao lado do Beleza Patronal, reúne-se com a Senadora Damares Alves em defesa do PL 4747/2016, que no Senado tramita como PL 3518/2019

Campanha “Verdades Nada Secretas” alerta jovens contra o assédio e os abusos no mercado da moda.
O Sindicato Nacional Pró-Beleza anunciou o lançamento de uma campanha de orientação e enfrentamento ao assédio moral, ao assédio sexual e aos abusos psicológicos no mercado da moda e da beleza. Segundo a entidade, cresce o número de casos que enganam jovens, destroem sonhos e desviam carreiras — em alguns relatos, para fins de prostituição direta e indireta.
Para o presidente do sindicato, Márcio Michelasi, o problema retratado na ficção da série Verdades Secretas é, na vida real, uma realidade de “Verdades Nada Secretas”. As denúncias que chegam à entidade, afirma, vão desde desvios de função até graves relatos de abuso sexual.
Um mesmo modus operandi
De acordo com o sindicato, parte dos agentes denunciados age sob um padrão recorrente: a captação de jovens, de preferência do interior, em relação às principais capitais. Muitos chegam, nas palavras de Michelasi, “apenas com a cara e a coragem”, sem dinheiro para o próprio sustento, e caem na promessa de apoio inicial. Em seguida, segundo os relatos, passam a ser pressionados a situações humilhantes — do tipo “ou faz isso, ou vai para o relento”.
A entidade aponta ainda a existência de uma trama que envolveria gestores de marcas e agentes operando em um sistema de aliciamento, oferecendo esses jovens que, na maioria das vezes, seriam “vendidos” sem receber um único tostão pelo trabalho.
Campanha nos salões e parceria histórica

O sindicato iniciou a campanha de orientação em parceria com os salões de beleza de todo o país, aproveitando o histórico da entidade com iniciativas de proteção à mulher — entre elas o trabalho do programa Salve uma Mulher, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), de quando a hoje senadora Damares Alves esteve à frente da pasta.
Para Michelasi, o cenário “se tornou uma pandemia” e repete situações que lembram os casos internacionais associados a Epstein e P. Diddy. “Muitos sonhos e talentos acabam sendo ceifados, e esses agentes do mal usam da simplicidade e do sonho dos jovens”, resume.
Profissão é escolha — e desvio de função é abuso

A entidade reforça uma orientação importante: o trabalho do profissional do sexo é uma ocupação reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mas que, como qualquer outra, deve ser uma escolha pessoal de cada indivíduo — e nunca funcionar como desvio de função imposto a quem foi contratado para outra atividade. Como sintetiza Michelasi: modelo é modelo, acompanhante é acompanhante, e assim por diante.
No mesmo sentido, o sindicato lembra que também é desvio de função convocar um modelo por meio de uma agência e submetê-lo a trabalhos de garçom em festas e baladas. Além da desvalorização da remuneração, esse tipo de evento, segundo a entidade, não oferece qualquer segurança jurídica ou previdenciária ao profissional.
Setor leva pedido de apoio ao Senado

A defesa do setor também avançou no campo legislativo. Os diretores do Pró-Beleza — Márcio Michelasi, Thiago Pena e Marcelo Witkowsky — estiveram reunidos com a Senadora Damares Alves, ao lado do presidente do Sindicato Beleza Patronal, Luis Cesar Bigonha, para pedir apoio ao avanço da regulamentação da profissão de agente cultural especializado em moda e beleza.
A pauta é tratada pelo Projeto de Lei nº 4.747/2016, de autoria do então deputado Ricardo Izar, com relatoria do deputado Roberto de Lucena na Câmara, e que no Senado Federal recebeu o número PL 3518/2019. A presença conjunta das entidades evidencia uma articulação rara entre os lados trabalhador e patronal em torno de uma mesma pauta — união que, para os representantes, fortalece o pedido de proteção ao setor.
Tanto a regulamentação quanto as denúncias de assédio foram encaminhadas à Senadora Damares Alves e também a órgãos de controle.
Canal de denúncia com proteção à vítima
O sindicato informa que mantém um canal de denúncia com proteção à vítima ou ao queixoso, acessível pelo site www.probeleza.org.br. No conjunto de tudo isso, Michelasi observa que o setor cultural de moda e beleza acumula muitas demandas e carece de proteção urgente por parte dos órgãos do Poder Judiciário.
Denúncias: www.probeleza.org.br · @marciomichelasi · @tvprobeleza
Se você ou alguém que conhece está em situação de violência, procure também a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180.
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